Noticiário #87 – janeiro/2026

Hellen Santana, Editora do Noticiário SBM

Olá querid@s leitor@s do nosso Noticiário Eletrônico da SBM

É com grande entusiasmo que inauguramos o ciclo de 2026 do nosso noticiário! A matemática brasileira reafirma sua relevância internacional com a participação da Sociedade Brasileira de Matemática na edição de 2026 do Miami Mathematical Waves, realizado de 26 a 28 de janeiro na Universidade de Miami. Pelo terceiro ano consecutivo, a SBM integra a programação do evento, que reúne pesquisadores das Américas para discutir avanços recentes da área. 

O evento foi realizado entre os dias 26 e 28 de janeiro, no Frost Institute for Chemistry and Molecular Science da Universidade de Miami | Foto: SBM 

SBM marca presença no Miami Mathematical Waves 2026 e reforça protagonismo da Matemática latino-americana 

Evento internacional reuniu pesquisadores de diversos países, promoveu colaborações e destacou a produção científica do continente

Em mais um ano, a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) esteve presente no Miami Mathematical Waves (MMW), evento internacional realizado no mês de janeiro, na Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Como parte de uma série de conferências organizadas pelo Instituto de Ciências Matemáticas das Américas (IMSA), o MMW tem como principal objetivo demonstrar os desenvolvimentos recentes na Matemática contemporânea e dar visibilidade ao trabalho de matemáticos latino-americanos.

Por Cydara Cavedon Ripoll

Escreve hoje, ainda sobre o potencial das representações pictóricas, Sandro Azevedo Carvalho, Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – IFSul, mestre pelo Pós Graduação em Ensino de Matemática da UFRGS e doutorando na mesma instituição.

Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do pensamento algébrico, apresentamos uma atividade aplicada a estudantes do 8o ano relatada em https://lume.ufrgs.br/handle/10183/29352 e que utiliza representações pictóricas, visando à construção de expressões algébricas. Nesse nível de escolaridade, tanto do ponto de vista cognitivo quanto matemático, as letras nas expressões algébricas representam números e a álgebra é empregada como aritmética generalizada, envolvendo variáveis, incógnitas e/ou parâmetros.

A atividade foi planejada com o objetivo de desenvolver o pensamento algébrico por meio do reconhecimento de padrões. Surpreendeu-nos o que se seguiu à atividade.

  • a) Encontre um padrão (uma característica comum) para a construção de tais configurações e desenhe as configurações 5 e 6, seguindo o padrão estabelecido por você.
  • b) Explicite o padrão que você encontrou e também uma estratégia para contar o número de pontos de uma configuração qualquer.
  • c) Se a sequência continuar com este mesmo padrão, quantos pontos haverá na configuração 10? E na 20?
  • d) Determine uma expressão algébrica para o número de pontos da configuração de número n.

Os objetivos dos itens da atividade são, respectivamente, a familiarização com a construção das figuras, a organização e verbalização do raciocínio empregado pelo estudante, o incentivo ao uso do raciocínio genérico, a tradução desse raciocínio para a linguagem algébrica e a resolução de uma equação a partir da expressão obtida.

Conforme esperado, os alunos explicitaram diferentes estratégias de contagem para representar o número de pontos na n-ésima configuração, gerando expressões algébricas distintas. Apresentamos a seguir as respostas de três estudantes:

Aluno A

b) “o triplo do sucessor da posição,
menos 2”
d) 3(n+1) – 2.

Aluno B

b) “o dobro da posição da figura
mais o sucessor dessa posição”
d) 2n + (n+1).

Aluno C

b) “três vezes o número ocupado
pela figura, soma um”
d) 3 x n +1

Então veio a surpresa: a variedade de expressões obtidas inquietou alguns estudantes, que defendiam suas respostas como a correta. Como todos os padrões produziam a mesma configuração para os valores 10 e 20 da sequência, surgiu a conjectura de que as expressões seriam equivalentes. Assim, de forma natural, os alunos sentiram-se desafiados a investigar a equivalência entre essas expressões algébricas e engajaram-se na construção de provas para essas identidades, sem recorrer a regras mecanizadas de manipulação algébrica, apoiando-se exclusivamente em propriedades das operações numéricas. Revelaram-se, assim, conscientes de que as letras, neste contexto, estão representando números, o que nem sempre é ressaltado nos livros didáticos deste nível.