EDITORIAL
Olá, car@s amig@s do Noticiário Eletrônico da SBM!
A Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) tem consolidado sua posição como protagonista no universo acadêmico e científico internacional. Mais do que números e equações, a SBM enxerga a matemática como elo entre culturas, gerações e ideias, promovendo conexões que ultrapassam fronteiras.
NOTÍCIAS

SBM reforça laços de cooperação com a Itália em Workshop Internacional realizado em Roma
Evento celebrou avanços no intercâmbio científico e a cooperação entre as duas nações; a Presidente Jaqueline Mesquita marcou presença
A colaboração entre cientistas e pesquisadores brasileiros e italianos ganhou novos contornos em importante evento e Jaqueline Mesquita, Presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), acompanhou tudo in loco. No fim de junho, a Embaixada do Brasil na Itália, localizada na histórica Piazza Navona, em Roma, recebeu o workshop internacional ‘Novas e Antigas Tendências na Colaboração Matemática entre Brasil e Itália’, iniciativa voltada à promoção do intercâmbio científico na área da Matemática.

SBM representará Brasil em fórum internacional de matemática na Alemanha no mês de setembro
A Presidente Jaqueline Mesquita levará perspectiva latino-americana ao Heidelberg Laureate Forum 2025, encontro que conectará jovens talentos a célebres laureados da matemática e computação
A Presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), Jaqueline Mesquita, foi convidada para participar do 12º Heidelberg Laureate Forum (HLF), que acontecerá de 14 a 19 de setembro de 2025, em Heidelberg, na Alemanha. O retorno ao evento, após sua primeira participação em 2017, ocorre agora em uma nova condição: como Presidente da SBM e da Unión Matemática de América Latina y el Caribe (UMALCA), com o propósito de representar a comunidade matemática latino-americana e ampliar o diálogo internacional em torno da formação de jovens talentos da região.

Nova Coordenação Nacional do PROFMAT é formada e define metas para expansão e internacionalização do programa
Prioridades da nova gestão envolvem atualização curricular, expansão territorial e internacionalização do programa
No início do mês de julho foi divulgado o resultado do processo seletivo para a nova Coordenação Acadêmica Nacional do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional, o PROFMAT. Encabeçando a nova composição, Walcy Santos, professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), assume o cargo como nova Coordenadora do programa até 2027.

SBM marca presença em congresso em Miami e acompanha homenagem à pesquisadora brasileira
A Presidente Jaqueline Mesquita representou a Sociedade em articulações científicas durante o MCA 2025 e prestou tributo à professora Maria Aparecida Soares Ruas, a Cidinha, falecida em junho
A professora Maria Aparecida Soares Ruas, carinhosamente conhecida como Cidinha, foi homenageada com o Americas Prize durante a cerimônia de encerramento do Mathematical Congress of the Americas (MCA) 2025, realizada no fim de julho, em Miami. A Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) esteve presente no evento por meio da Presidente Jaqueline Mesquita, que acompanhou de perto a premiação. Professora emérita do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, Cidinha fez parte da Diretoria da SBM recentemente e faleceu no dia 30 de junho.

Novo ciclo na SBM: gestão eleita toma posse com foco na manutenção de ações voltadas à diversidade e à cooperação internacional
Cerimônia de posse ocorreu durante o 35º Colóquio Brasileiro de Matemática, no IMPA, e marca a continuidade da presidência de Jaqueline Mesquita à frente da Sociedade
A Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) iniciou em agosto um novo ciclo de gestão, com a posse oficial dos novos membros eleitos para seus Órgãos Dirigentes até 2027. A cerimônia de apresentação foi realizada durante o 35º Colóquio Brasileiro de Matemática, no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), e reuniu representantes da comunidade acadêmica de todas as regiões do país. Além da solenidade de posse, a ocasião também contou com a entrega do Prêmio SBM, que reconhece o melhor artigo original de pesquisa em Matemática publicado recentemente por um jovem pesquisador residente no Brasil.

Prêmio SBM 2025: conheça José Edson Sampaio, o pesquisador vencedor da honraria
Aos 37 anos, o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) é autor de artigo inovador que propõe uma nova homologia para estudar fenômenos métricos
Concedido a cada dois anos pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), o Prêmio SBM distingue o melhor artigo original de pesquisa publicado recentemente por um jovem pesquisador residente no país. A avaliação leva em conta critérios como originalidade, relevância, profundidade e potencial de impacto na área de atuação. A entrega ocorre tradicionalmente durante o Colóquio Brasileiro de Matemática — e, em 2025, a honraria foi concedida a José Edson Sampaio, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Uma vida pela Matemática: Walcy Santos é eleita associada honorária da SBM
Reconhecida por sua atuação em pesquisa, formação de professores e gestão acadêmica, Walcy Santos tem trajetória marcada pelo compromisso com a ciência, a educação e a comunidade matemática
Walcy Santos é uma das figuras mais destacadas da matemática brasileira. Docente titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadora na área de Geometria e Topologia e referência na formação de professores, ela construiu uma carreira marcada pelo compromisso com a ciência, a educação e a comunidade acadêmica. Durante o 35º Colóquio Brasileiro de Matemática, realizado de 28 de julho a 1º de agosto no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro, esse percurso foi reconhecido com a sua nomeação como nova associada honorária da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).
8º Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática
Entre os dias 25 a 28 de setembro de 2025 acontecerá o 8o Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática em parceria entre o Ministério da Educação (MEC) e Universidade de Brasília (UnB), em Brasília – DF. A Associação Nacional dos Professores de Matemática na Educação Básica (ANPMat) tem como missão promover o desenvolvimento da matemática no Brasil, integrando pesquisa, ensino e extensão de maneira ampla e acessível.
Atuando como um espaço de diálogo e troca de experiências, a ANPMat busca unir profissionais da área, professores da educação básica e ensino superior. O Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática promovido pela ANPMat é realizado desde 2013 e já percorreu diferentes regiões do Brasil. Agora, o 8o Simpósio Nacional da Formação do Professor de Matemática retorna a Brasília-DF, sendo realizado pela ANPMAt, Universidade de Brasília (UnB) e Ministério da Educação (MEC). Este encontro acontecerá de 25 a 28 de setembro de 2025, de quinta-feira a domingo, e reunirá matemáticos, professores e pesquisadores de todas as categorias para discutir e construir caminhos transformadores para a matemática no Brasil.
Neste simpósio, as palestras terão como tema “Dialogar sobre a Matemática para um Brasil Inclusivo: Currículo, Equidade e Neurociência”, refletindo os desafios e as oportunidades de renovar o ensino da matemática no Brasil. Os palestrantes convidados explorarão a construção de um currículo inclusivo, práticas que promovam a equidade racial e as contribuições da neurociência para o ensino e a aprendizagem matemática. Além disso, o evento contará com 17 eixos temáticos, oferecendo espaço para diferentes perspectivas e áreas de atuação no campo da matemática.
Participe! Este é um convite para todos os professores e profissionais de matemática, independentemente de sua área de atuação, a contribuírem para debates enriquecedores e para o fortalecimento da matemática em nosso país.
Maiores detalhes podem ser obtidos no endereço: https://anpmat.org.br/simposio-nacional-8/
CRONOGRAMA DE EVENTOS
2025
• 9º Encontro Brasil-Portugal IST-IME – IME USP, São Paulo/SP – 04 a 08 de agosto de 2025
• II Semana Nacional de Iniciação Científica da SBM – UFPA, Belém/PA – 18 a 22 de agosto de 2025
• Encontro Conjunto Brasil-México em Matemática – Fortaleza/CE – 08 a 12 de setembro de 2025
• Workshop da SBM de Mulheres na Matemática – Maceió/AL – 01 a 03 de outubro de 2025
• 6º Colóquio de Matemática da Região Sul – UFSM, Santa Maria/RS – 06 a 10 de outubro de 2025
• II Encontro Nacional do PROFMAT – UFMS, Campo Grande/MS – 15 a 18 de outubro de 2025
• 1º Encontro Nacional em Popularização da Matemática – UNICAMP, Campinas/SP – 03 a 05 de dezembro de 2025
2026
• XII Bienal da Sociedade Brasileira de Matemática – UFRN, Natal/RN – junho de 2026
• 5º Colóquio de Matemática da Região Sudeste – UFRJ, Rio de Janeiro/RJ – 31 de agosto a 04 de setembro de 2026
• 7º Colóquio de Matemática da Região Nordeste – UFPE, Recife/PE – 23 a 27 de novembro de 2026
PROFMAT: PARA ALÉM DAS CONTAS
O desafio de explorar novos recursos digitais nas dissertações do Profmat
Por Fábio Xavier Penna (UNIRIO)
As dissertações produzidas no âmbito do Profmat têm demonstrado crescente interesse pelo uso de tecnologias digitais no ensino de matemática, refletindo uma tendência de modernização e inovação pedagógica. Segundo estudo feito por Carmen Mathias em 2019, aproximadamente 15% das dissertações defendidas até 2018 mencionam essas tecnologias em seus títulos. A partir da pandemia de Covid 19, o uso de recursos computacionais, plataformas de ensino virtuais e sistemas de verificação da aprendizagem digitais se intensificou. Entre os recursos didático pedagógicos mais comuns estão o software GeoGebra, dispositivos móveis, planilhas eletrônicas e linguagens de programação, utilizados para enriquecer a aprendizagem matemática e aproximar os conteúdos escolares da realidade digital dos alunos. Essa integração tecnológica busca tornar o ensino mais dinâmico, interativo e alinhado às transformações contemporâneas na educação.
Nesse contexto de modernização, a inteligência artificial (IA) surge como uma área promissora, ainda que pouco explorada nas dissertações do Profmat. A IA tem se expandido rapidamente em diversos setores e apresenta grande potencial para aplicação educacional, especialmente no ensino de tópicos como geometria, funções e estatística. Suas possibilidades incluem a personalização da aprendizagem, com adaptação de conteúdos ao perfil de cada aluno, fornecimento de feedback instantâneo e uso de análises preditivas para apoiar decisões pedagógicas. Desta forma, a introdução da IA no contexto educacional pode contribuir para práticas mais eficientes, centradas no estudante e com maior capacidade de diagnóstico e intervenção.
Vale ressaltar que a adoção da IA no ensino de matemática exige cuidados éticos e pedagógicos. As futuras dissertações do Profmat podem investigar formas de implementar essa tecnologia de maneira responsável, garantindo a proteção de dados dos estudantes e respeitando princípios fundamentais como a equidade e a transparência. Essa perspectiva implica não apenas desenvolver soluções tecnológicas, mas também preparar professores e alunos para utilizá-las criticamente. Isso já está presente em algumas dissertações recentes do programa mas, considerando a velocidade com a qual as ferramentas de IA vem se aperfeiçoando, elas devem ter atenção especial de professores e estudantes do programa. A produção acadêmica do Profmat pode desempenhar um papel estratégico na construção de um ensino de matemática inovador, acessível e comprometido com a formação cidadã, impulsionada pela formação de excelência do corpo docente, conjugada à experiência na escola básica do corpo discente.
COLUNA ENSINO DA MATEMÁTICA
Por Cydara Cavedon Ripoll
Convido Luísa Rodríguez Doering e Franciele Meinerz Wermann para apresentarem o material concreto ábaco (mencionado na BNCC) para o estudo dos números inteiros e sua experiência com estudantes da Educação Básica. Luísa é professora da UFRGS, ligada ao Programa de Mestrado em Ensino de Matemática e Franciele é Mestre por este Programa e professora das redes municipal e privada de Porto Alegre.
O Ábaco dos Números Inteiros é um material que pode ser utilizado no ensino das operações com números inteiros, e que tem potencial para lidar com complexidades que surgem na transição do universo numérico dos números naturais para o dos inteiros. Ele é formado por uma base com duas hastes verticais paralelas e por argolas nas cores vermelho e azul, que representam, respectivamente, unidades negativas e positivas, sendo a haste da esquerda escolhida para as unidades negativas.

Dessa forma, cada número inteiro não nulo pode ser representado utilizando apenas uma haste. A discussão sobre como interpretar um layout que faz uso de ambas as hastes leva à construção de diferentes representações para um mesmo número inteiro. Além disso, o uso do material estimula a construção de imagens mentais que oportunizam a conclusão sobre a existência de infinitas representações para cada número inteiro.
Na imagem ao lado, o zero é representado pelo ábaco vazio, por 4 e por 7 pares de unidades positivas e negativas. Assim, nota-se que podem-se acrescentar ou retirar pares de argolas de cores distintas sem alterar o número representado.

As diversas representações de um número inteiro é a base para as operações de subtração e multiplicação com inteiros. De fato, para adicionar inteiros é suficiente manter o significado de acrescentar da adição de naturais. Já a subtração, ainda que mantendo o significado de retirar, requer cuidado especial, pois às vezes o minuendo precisa ser representado convenientemente para que seja possível retirar a quantidade indicada pelo subtraendo. Ao lado ilustramos a subtração 0 – (-3).

Na multiplicação com inteiros a questão é ainda mais complexa, pois o significado de adição de parcelas iguais da multiplicação de naturais só dá conta de multiplicações em que o primeiro fator é positivo. A concretude do ábaco facilita a forma como vai se definir o produto de inteiros no outro caso: no ábaco, quando o primeiro fator é positivo, acrescentamos, ao zero, grupos de unidades indicadas pelo segundo fator; é razoável então que, quando o primeiro fator é negativo, implementemos a ação oposta de acrescentar, ou seja, que retiremos, de zero, grupos de unidades indicadas pelo segundo fator. Assim, não se impõe, a priori, que a extensão da multiplicação a seja comutativa.
Ao lado tem-se uma implementação do cálculo (-3) x (+5). Aqui é necessária uma conveniente representação do zero para ser possível retirar grupos de unidades indicadas pelo segundo fator.

O ábaco dos inteiros também tem sua forma virtual, que se diferencia do concreto apenas por possuir botões que agilizam e otimizam as ações a serem realizadas. No e-book “O Ábaco Virtual dos Números Inteiros: um recurso para o ensino remoto”
além de o ábaco ser apresentado com seus recursos e potencialidades, é ressaltada a possibilidade de ele, concreto ou virtual, servir como um elo entre a matemática abordada na formação inicial do professor (construção formal dos inteiros) e a matemática ensinada na escola, sendo assim recomendável para os cursos de licenciatura.
COLUNA DIVULGAÇÃO MATEMÁTICA
Olho no olho
Por Miriam Telichevesky
Estou organizando, junto com algumas colegas, o IV Festival da Matemática – RS, que vai acontecer em setembro na minha universidade. O público-alvo preferencial é composto por estudantes das Escolas de Educação Básica, públicas ou privadas, de diferentes municípios do estado. Graças ao financiamento que conseguimos junto ao CNPq/MCTI/FNDCT/MEC, através do Edital para Feiras e Mostras Científicas, bem como ao auxílio da FGV-CDMC, temos verba para fomentar a ida de estudantes até o local do evento.
A notícia de financiamento, no entanto, chegou muito perto do prazo final de submissão de trabalhos. Poderíamos prorrogar? Sim, mas isso implicaria em imensas dificuldades logísticas – não é toda semana que organizamos a ida de mais de 40 escolas em 3 dias de evento no campus. Então tivemos que agir rápido: começar uma massiva campanha de convite às escolas. Venho aqui compartilhar algumas conclusões acerca deste processo…
Postamos bastante material em redes sociais, e inclusive tivemos números muito bons de engajamento – mais de 15 mil visualizações no perfil do Instagram em duas semanas. Mas o grande pulo do gato, o que fez total diferença em nossa visibilidade, e participação ativa das escolas submetendo trabalhos, foi mobilizar nossa equipe para fazer visitas às escolas.
Ao fazer essas visitas, fomos percebendo o quão distante estávamos do nosso público-alvo, quando ainda estávamos na campanha online. Nada, absolutamente nada, substitui um convite olho no olho. Isso só aumenta minha convicção, nas experiências com divulgação e popularização da Matemática, que as ações que mais surtem efeito são as presenciais.
Embora seja bastante relevante termos canais, perfis, páginas, programas divulgando a Matemática, os melhores resultados da popularização estão no que é feito presencialmente. Além do alcance garantido de interlocutores que estão diante de nossos olhos, há algo mais profundo envolvido: quando fazemos isso, reforçamos a mensagem de que a Matemática é feita por pessoas. E ainda que nesse conjunto de pessoas, existe um subconjunto que quer compartilhar conhecimento. Depois de um pouco de conversa, nosso público-alvo quer fazer parte dessa via de mão dupla.
COLUNA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA
Theodoro Augusto Ramos: o primeiro brasileiro a publicar uma obra sobre Cálculo Vetorial Na França
Por Sérgio Nobre & Sabrina Bonfim
A consolidação da ciência moderna no Brasil, especialmente no campo da matemática, está ligada a figuras que atuaram tanto na esfera intelectual quanto na organização de instituições. Neste âmbito, muitos são os escritos sobre Theodoro Augusto Ramos (1895-1935) acerca da sua contribuição para a contratação de professores no exterior para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da então, recém fundada Universidade de São Paulo (1934). Entretanto, pouco se comenta sobre o pioneirismo deste brasileiro na publicação da primeira obra de Cálculo Vetorial no exterior.
Ramos insere-se no rol dos pioneiros da pesquisa em Matemática no Brasil, em continuidade à trajetória iniciada por Joaquim Gomes de Souza (1829–1864) e desenvolvida por personagens como como Otto de Alencar e Silva (1874–1912) e Manuel Amoroso Costa (1885–1928). Estes dois últimos foram, inclusive, seus professores durante a graduação em Engenharia Civil na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Nessa mesma instituição, Ramos defendeu, em 1918, sua tese de doutorado em matemática, considerada inédita para a época no campo da análise matemática. Iniciava-se aí sua trajetória em temas pioneiros para a matemática e a ciência brasileira.
Neste sentido, consideramos aqui um aspecto ainda pouco abordado na história da matemática do Brasil e sob esta perspectiva, da história do cálculo vetorial em nosso país. Essa publicação se insere no contexto da estadia de Ramos na França, entre 1928 e 1930 como parte de uma missão oficial enviada pelo governo paulista para estudar modelos universitários europeus. Durante esse período, publicou no ano de 1930, em Paris, a obra intitulada Leçons de Calcul Vectoriel, apresentada como um compêndio moderno sobre o assunto, utilizando notações vetoriais próximas àquelas introduzidas por Gibbs, e incorporando desenvolvimentos teóricos do cálculo tensorial com base no trabalho de italianos, por exemplo Tullio Levi-Civita (1873-1941), referência na área. Destes, mais tarde viria uma crítica ao seu trabalho e que o próprio Ramos fez referência no prefácio de uma de suas publicações.
Em um olhar sobre a trajetória histórico-matemática das publicações de brasileiros na França, destacam-se as tentativas iniciais de Joaquim Gomes de Souza e, mais tarde, as contribuições de Amoroso Costa, com artigo publicado em 1922 no Comptes Rendus, e de Otto de Alencar Silva, que publicou em 1901 no Bulletin des Sciences Mathématiques. Entre as obras, ressalta-se o já mencionado pioneirismo de Ramos com seu tratado sobre cálculo vetorial, publicado em 1930.
Além disso, Ramos foi um dos primeiros a introduzir o cálculo vetorial no ensino superior brasileiro, no ano de 1926, na Escola Politécnica de São Paulo. Utilizou como referências para a sua publicação de 1927 acerca da temática das obras de matemáticos italianos como Cesare Burali-Forti (1861-1931) e Roberto Marcolongo (1862-1943). Após praticamente um século deste feito, num olhar global, é possível perceber seu interesse por temas como análise vetorial, álgebra tensorial e física matemática, na qual lhe é atribuído a autoria do primeiro artigo científico produzido no Brasil sobre a teoria da relatividade, revelando uma tentativa de alinhar o Brasil aos avanços científicos internacionais.
Assim, ao publicar uma obra científica na França, Ramos inseriu o Brasil no mapa internacional de produção matemática acerca da temática, ao lado de professores e pesquisadores europeus que lideravam os debates sobre o cálculo vetorial no início do século XX, principalmente italianos. Sua contribuição destaca-se não apenas pelo pioneirismo, mas também pelo fato de representar um movimento raro, à época, de afirmação da produção científica brasileira em centros tradicionais de excelência, como Paris.
Essa inserção internacional não foi um caso isolado e pode ser observada, por exemplo, nos três pioneiros aqui citados que o antecederam, demonstrando que existiam brasileiros trabalhando em ciência que, embora se tratassem como um todo de casos específicos e isolados, acompanhavam ativamente a produção científica da Europa, sobretudo da França e da Itália, onde o cálculo vetorial ganhava força como linguagem matemática útil à física teórica e à engenharia. Apontamentos e descobertas como esta evidenciam a importância de estudos na área da história da matemática e das ciências no Brasil trazendo para o debate brasileiros pioneiros na pesquisa em Matemática no Brasil e no mundo.