A Presidente Jaqueline Mesquita representou a Sociedade em articulações científicas durante o MCA 2025 e prestou tributo à professora Maria Aparecida Soares Ruas, a Cidinha, falecida em junho

A professora Maria Aparecida Soares Ruas, carinhosamente conhecida como Cidinha, foi homenageada com o Americas Prize durante a cerimônia de encerramento do Mathematical Congress of the Americas (MCA) 2025, realizada no fim de julho, em Miami. A Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) esteve presente no evento por meio da Presidente Jaqueline Mesquita, que acompanhou de perto a premiação. Professora emérita do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, Cidinha fez parte da Diretoria da SBM recentemente e faleceu no dia 30 de junho.
O Americas Prize reconhece contribuições notáveis para o desenvolvimento da matemática no continente e eternizou o legado de uma das mais influentes cientistas das Américas. Cidinha teve conhecimento da premiação antes de sua partida. A homenagem preparada pelo Instituto de Ciências Matemáticas das Américas (IMSA) emocionou a comunidade científica presente no congresso e foi recebida por Juliana, filha de Cidinha.
A ex-Diretora da SBM construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo, excelência acadêmica e liderança. Foi referência internacional na área de Teoria de Singularidades, com mais de 80 artigos publicados, cinco livros escritos e dezenas de orientações em todos os níveis — da iniciação científica ao pós-doutorado.
Sócia-fundadora da SBM, em 1969, Cidinha também atuou em diversas instituições nacionais e internacionais, incluindo a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o Comitê de Assessoramento de Matemática e Estatística do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Academia Mundial de Ciências (TWAS), na qual havia sido eleita titular em dezembro de 2024. Em janeiro deste ano, recebera o Prêmio Latino-Americano de Liderança Matemática, também concedido pelo IMSA.

“Foi uma emoção muito grande. A Cidinha foi a única brasileira a receber um prêmio neste congresso. Essa homenagem reforça o impacto continental de sua trajetória e sua importância para a matemática brasileira e latino-americana”, afirmou Jaqueline, que também se mostrou comovida com a homenagem póstuma à ex-pesquisadora do ICMC-USP.
SBM no MCA 2025: articulação continental e parcerias editoriais
Integrante do Comitê Científico do IMSA, Jaqueline representou a SBM em uma série de atividades estratégicas durante o congresso, realizado de 15 a 22 de julho, na Universidade de Miami. A abertura do evento contou com uma reunião do Conselho do MCA, que discutiu temas relevantes como o futuro da organização, questões financeiras e o local da próxima edição do congresso.
A SBM esteve representada na reunião por Jaqueline e pela professora Valéria Cavalcanti, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), também associada à Sociedade. “Foi um evento muito importante no contexto das Américas. Reuniu pesquisadores da América Latina, dos Estados Unidos, do Canadá e também de outras partes do mundo para discutir matemática e promover colaborações. Tivemos uma série de discussões importantes para o futuro da matemática na região”, destacou a Presidente.

Entre os destaques institucionais, a SBM participou de um almoço com representantes da Springer, voltado ao fortalecimento da parceria editorial com os periódicos da Sociedade — especialmente a revista Matemática Contemporânea, atualmente publicada em colaboração com a editora.
“Aproveitamos para alinhar perspectivas com relação à revista Matemática Contemporânea e discutir possibilidades de novas parcerias, incluindo a publicação de livros. Já temos títulos em português que são traduzidos para o inglês e publicados em conjunto com a Springer. Queremos expandir esse catálogo”, explicou a Presidente da SBM.
Jaqueline também atua como Presidente da Umalca (União Matemática da América Latina e Caribe), e sua presença no congresso reforçou as articulações entre as sociedades matemáticas da região. Representantes de entidades do México, Paraguai, Argentina, Colômbia, Venezuela e outros países participaram de reuniões conjuntas com foco no fortalecimento institucional e na integração continental.
“Conversamos com representantes das sociedades do México, Paraguai, Argentina, Colômbia e Venezuela. Discutimos projetos conjuntos, possibilidades de financiamento e ações voltadas ao fortalecimento da matemática na América Latina e no Caribe. Essas iniciativas também beneficiam o Brasil, direta e indiretamente”, completou a professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Outro ponto relevante foi o apoio financeiro proporcionado pelo IMSA, que viabilizou a participação de diversos pesquisadores da América Latina no evento. De acordo com Jaqueline, a instituição norte-americana disponibilizou cerca de US$ 400 mil (R$ 2,2 milhões na cotação atual) para cobrir passagens e diárias de pesquisadores latino-americanos. “Isso garantiu uma presença representativa da região no evento”, ressaltou Jaqueline.
Representatividade de gênero em pauta
Durante o MCA 2025, Jaqueline também participou de uma mesa-redonda sobre a representatividade de mulheres na matemática. O painel contou com a presença de representantes do Brasil, Argentina, México e Estados Unidos, incluindo o professor Ricardo Miranda Martins, da Unicamp, e Mina Teicher, da Universidade de Miami.
“Foi um momento importante para discutir ações que estão sendo desenvolvidas em diferentes países para ampliar a representatividade de gênero na matemática e nas ciências exatas como um todo. É um tema urgente e que precisa continuar no centro do debate científico”, destacou.
Próximos passos
Durante o congresso, também foram discutidas ações relativas aos 30 anos da Umalca, cuja comemoração está prevista para setembro, na Unicamp. A SBM deverá ter papel relevante na organização e articulação das atividades celebrativas.
A participação no MCA 2025, marcada por articulação internacional, fortalecimento institucional e reconhecimento da excelência matemática brasileira, reforça o compromisso da SBM com o desenvolvimento científico e a integração continental — uma agenda que Maria Aparecida Soares Ruas, a Cidinha, sempre defendeu com paixão e visão de futuro.