Evento foi realizado entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro no Colégio Brasileiro de Altos Estudos, no Rio de Janeiro

Entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro, o Colégio Brasileiro de Altos Estudos, no Rio de Janeiro, foi ponto de encontro de pesquisadores e profissionais da matemática durante o V Colóquio de Matemática da Região Sudeste. Organizada pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e pelo Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IM-UFRJ), esta foi a primeira edição realizada no estado do Rio de Janeiro.
A SBM promove colóquios de matemática nas cinco regiões do país. Além da edição Sudeste, está previsto para este ano o VII Colóquio de Matemática da Região Nordeste, de 23 a 27 de novembro, em Recife.
Presidente da SBM, Jaqueline Mesquita destaca a importância de aproximar pessoas e promover a troca de experiências na matemática. “Em um país com dimensões tão grandes, consideramos importante levar o colóquio a diferentes regiões. Realizar o evento pela primeira vez no Rio de Janeiro, sede da SBM e de uma grande comunidade matemática, tem um significado especial. Ficamos muito felizes em trazer o encontro para cá, em parceria com a UFRJ, por ser uma cidade tão simbólica para nós e para a matemática brasileira”, afirma.
Para Wladimir Neves, diretor do Instituto de Matemática da UFRJ, o encontro reforçou o protagonismo da instituição e contribuiu para a consolidação da matemática na região. “O Instituto de Matemática tem uma história extensa e nutre uma relação de interligação com a pesquisa desenvolvida no Sudeste, seja em São Paulo, Minas Gerais ou Espírito Santo. Então, para nós, é uma alegria receber nossos colegas aqui”, relata.

Um olhar para dentro
A popularização e a difusão da matemática estão entre as missões da SBM, que promove eventos nacionais, como a Bienal da Matemática, e internacionais, como os encontros conjuntos com China, Itália e Argentina. Os colóquios regionais integram esse trabalho ao aproximar instituições, pesquisadores, estudantes e professores e abrir espaço para discutir as demandas de cada região.
Segundo a professora Juliana Fernandes, da UFRJ, que atuou na organização do evento, os colóquios são necessários por promoverem uma maior adesão local. “As dinâmicas e necessidades de cada região são diferentes, então é importante reunir uma comunidade que entenda e possa discutir sobre esses desafios particulares”, pontuou.

O professor Marcone Corrêa Pereira, da Universidade de São Paulo (USP), foi um dos plenaristas da programação. Em sua apresentação intitulada “Efeitos Induzidos pela Rugosidade numa Equação de Reação-Difusão em um Domínio Fino”, abordou problemas assintóticos em equações diferenciais parciais. “Tivemos a oportunidade de passar o conhecimento que vem de esferas internacionais e nacionais e difundi-lo através de atores que compõem a matemática na região, promovendo tanto a integração entre os pares”, relatou Marcone.
Programação diversa, atual e relevante
O V Colóquio reuniu 10 plenárias, quatro minicursos, duas mesas-redondas e 56 trabalhos apresentados ao longo de sete sessões temáticas, além das tradicionais apresentações de pôsteres.
Ao longo dos cinco dias, pesquisadores da USP, Unicamp, UFMG e da própria UFRJ apresentaram seus trabalhos, muitos deles desenvolvidos em parceria. O colóquio permitiu que esses colaboradores se encontrassem presencialmente e compartilhassem os resultados de suas pesquisas.

Professor da Unicamp, Régis Varão apresentou a pesquisa “Tamanho (linear) do conjunto de pontos positivos” na Sessão Temática de Sistemas Dinâmicos. Na ocasião, foi discutido como estender um subespaço linear dado de modo que ele permaneça inteiramente contido no conjunto dos pontos transitivos. Para ele, a troca realizada durante o evento trouxe outras perspectivas para sua pesquisa. “Ver colegas e outros pesquisadores apresentando seus trabalhos e compartilhando suas perspectivas no colóquio é diferente de ler um preprint ou um artigo. Poder interagir e perceber as sutilezas do que está sendo discutido é bastante valioso”, argumentou.
A docente Maral Mostafazadehfard, da UFRJ, conduziu o minicurso “As bases de Gröbner e suas aplicações” e destacou a importância da colaboração para o avanço das pesquisas. “O desenvolvimento ocorre na conexão com outras pessoas, pois isolado você não pode avançar tanto em sua pesquisa. Nesse sentido, é bom poder estar em contato com pessoas que estão desenvolvendo trabalhos na mesma direção que a sua”, afirmou.

Mestrando da UFRJ, Álvaro de Carvalho Alves apresentou um trabalho na sessão de pôsteres. “Quando fazemos pesquisa, ficamos presos em nosso próprio mundo e, aqui, pude trocar com pessoas que pesquisam em áreas que, a princípio, nem tinham relação com a minha, mas que trouxeram perspectivas para meu trabalho”, disse.
Fortalecer o presente e vislumbrar o futuro
Em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT), o V Colóquio de Matemática da Região Sudeste também abordou o ensino da matemática. A sessão criou um espaço de discussão, integração e reflexão sobre o cenário da educação matemática, principalmente em tempos de tecnologia e inteligência artificial. As duas mesas-redondas do evento aprofundaram esse debate, estimulando os participantes a refletir sobre seu papel como formadores.
Convidada de uma das mesas-redondas, Patricia Baroni, vice-presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), destaca a importância de discutir quais perspectivas orientam o ensino da matemática. “Precisamos pensar uma matemática que, sobretudo, atenda quem está na ponta dessa relação, os estudantes. Nesse sentido, é importante criar uma área que seja um instrumento que ampare e acolha a diversidade que temos em nosso país”, pontua.
Para Patricia, um dos pontos-chave para a melhoria do ensino é justamente o fortalecimento da pesquisa proporcionado pelo colóquio. “Quando promovemos essa conversa, podemos ouvir falas diferentes daquelas onde construímos nossas bases, princípios e concepções. Eventos como esse são a oportunidade de colocar em diálogo pessoas que pensam de maneira diferente e, a partir daí, produzir coisas novas”, conclui.
