SENIC 2025: evento celebra o protagonismo dos jovens talentos da iniciação científica brasileira

A segunda edição, realizada em Belém (PA), foi marcada pela excelência acadêmica, diversidade de pesquisas e integração entre estudantes de todo o país

A UFPA foi o palco da II SENIC | Foto: SBM

Entre os dias 18 e 22 de agosto, a Universidade Federal do Pará (UFPA) recebeu um dos principais eventos da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM): a Semana Nacional de Iniciação Científica (SENIC), em sua 2ª edição. Reunindo os melhores trabalhos de iniciação científica em Matemática do país, a II SENIC destacou-se não apenas pela excelência acadêmica, mas pela integração regional, pelo fortalecimento de vínculos e pela consolidação de um solo fértil para jovens cientistas brasileiros. 

Segundo Fernando Manfio, professor da Universidade de São Paulo (USP) e membro do comitê científico da II SENIC, o grande propósito do evento foi dar visibilidade à produção científica dos estudantes: “A SENIC foi idealizada para ser um evento científico onde o estudante é o grande protagonista. O evento veio para impulsionar a Iniciação Científica (IC), e ficou muito claro que a IC ganhará novos patamares brevemente”.

Ciência de alto nível 

Como prova disso, um dos pontos altos observados na Semana foi a qualidade dos trabalhos apresentados. O evento reuniu mais de 80 pesquisas de iniciação científica em Matemática, desenvolvidas por estudantes de graduação de diferentes regiões do Brasil. 

Para a professora da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e membra do comitê organizador e de avaliação, Sara Rodrigues, o aspecto mais marcante foi a excelência e a diversidade dos temas abordados. “Chamou-me a atenção que a maioria dos trabalhos tinham o perfil de pesquisas de alto nível e contemplavam todas as áreas da Matemática. Além disso, os alunos demonstraram muito domínio e segurança em suas apresentações. Todos os trabalhos estavam excelentes”, pontua.

A SENIC representa uma importante oportunidade para quem está na iniciação científica dentro da área da matemática | Foto: SBM

Os trabalhos de iniciação científica foram expostos ao longo dos cinco dias de evento – tanto na categoria de comunicação oral, quanto em formato de pôster. Coroando a programação, o último dia foi marcado pela cerimônia do tradicional Prêmio Hildebrando Munhoz Rodrigues de Iniciação Científica. A honraria reconheceu os três melhores trabalhos em cada categoria, premiando os autores com quantias em dinheiro e certificado outorgado pela SBM e pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP, que assina conjuntamente a realização do evento e da premiação.

Regilene Delazari, professora da Universidade de São Paulo (USP) e membra da comissão de Prêmio e trabalhos, ressalta que as pesquisas premiadas revelaram muito mais do que somente qualidade técnica: “Esses trabalhos apresentaram um forte rigor matemático, demonstrando não apenas domínio teórico, mas também maturidade científica por parte dos expositores. Outro ponto relevante foram os temas escolhidos, tanto do ponto de vista acadêmico quanto de suas possíveis aplicações. Todos esses fatores, em conjunto, contribuíram para a excelência dos trabalhos reconhecidos”. 

Espaço de aprendizado 

Para além da oportunidade de conhecer e consagrar os talentos brasileiros da iniciação científica em Matemática, a II SENIC também foi palco de momentos relevantes de aprendizado, protagonizados pela plenárias de divulgação e minicursos. Ao todo, o evento contou com 11 plenárias e dois minicursos ministrados por pesquisadores de diversas instituições, tanto nacionais, como internacionais. 

“O evento conseguiu promover uma integração genuína entre diferentes áreas da Matemática, criando um espaço de diálogo produtivo e acolhedor. Destaco especialmente a qualidade das palestras, minicursos e apresentações de pôsteres, que aliaram excelência acadêmica a uma linguagem acessível para um público bastante diverso”, destaca Diego Araujo, professor da Universidad de Sevilla, na Espanha, e membro do comitê organizador.

Foram realizadas 11 plenárias na II SENIC | Foto: SBM

Adam Oliveira, docente da UFPA e também integrante da organização, rememora que a maioria dos plenaristas, hoje pesquisadores consolidados, um dia foram estudantes de iniciação científica – fato que inspira ainda mais as projeções de crescimento dos estudantes presentes no evento. “Trazer essa experiência para os alunos que estão vivendo esse momento é dar a eles perspectivas futuras: de que um dia também podem estar ali na frente, como plenaristas e como pesquisadores em grandes universidades e centros de pesquisa do Brasil”, afirma.

O professor Fernando Manfio complementa que a diversidade e a excelência dos pesquisadores à frente das plenárias foram fundamentais para o sucesso do evento: “São esses pesquisadores que abrem portas para diferentes áreas de pesquisa, ampliando o horizonte de conhecimento dos jovens cientistas”. 

Fortalecimento de vínculos e trocas culturais 

A edição 2025 da Semana Nacional de Iniciação Científica na SBM destacou-se não apenas pelo teor acadêmico, mas também pelas oportunidades de integração e colaboração entre os participantes. Os momentos de interação que transcendem os aspectos puramente acadêmicos, permitindo que os estudantes compartilhem experiências e construam conexões significativas, como comenta a professora Regilene Delazari: “Algo que me chamou muito a atenção foi o ambiente acolhedor e colaborativo criado entre os estudantes participantes. Para além da Matemática, o evento promoveu momentos valiosos de socialização, troca de experiências e construção de amizades”. 

Além de fortalecer os vínculos entre os alunos, a experiência pôde despertar um entusiasmo adicional aos estudos e o contato direto com aspectos culturais do estado anfitrião, enriquecendo a experiência como um todo: “Eles voltam com tanta alegria e empolgação que já pensam em continuar seus estudos. Ademais, os alunos também têm uma imersão na cultura do estado em que se realiza o evento”, acrescenta a docente Sara Rodrigues. 

Região Norte em destaque: os desafios e a importância da descentralização 

Realizar um evento dessa magnitude em Belém (PA) foi um destaque marcante desta edição, evidenciando a diversidade e a produção científica da região Norte. No entanto, segundo os organizadores locais, gerir iniciativas desse porte apresenta desafios maiores do que em outras partes do país, devido à dificuldade de obtenção de recursos e à distância do eixo Sul-Sudeste, que encarece a vinda de plenaristas, pesquisadores e participantes de outras localidades. Ainda assim, a realização da SENIC na capital paraense, e de outros eventos na região, reforça a importância de garantir acesso e protagonismo aos estudantes da região.

Além da II SENIC, o VII Colóquio de Matemática da Região Norte já aconteceu em 2025 | Foto: SENIC

O professor Diego Araujo destaca a importância desse movimento de descentralização: “Um dos grandes aprendizados desta edição foi a importância de descentralizar os eventos e levar iniciativas como a SENIC para diferentes regiões do país, valorizando a diversidade da nossa comunidade matemática. Ficou claro também como é fundamental criar espaços de participação ativa para estudantes e jovens pesquisadores, fortalecendo sua formação e ampliando sua inserção no meio científico”. 

Em complemento, o docente Adam Oliveira ressalta o valor das trocas pessoais e profissionais que o evento proporciona. “A grande satisfação para a gente é justamente proporcionar isso: que nossos alunos tenham contato com pesquisadores de grande experiência, renomados em várias áreas da matemática, e também com colegas de graduação, para que possam trocar experiências e entender como funcionam as coisas em outras universidades”, finaliza. 

III SENIC

A próxima edição da Semana Nacional de Iniciação Científica (SENIC) está confirmada. O evento será realizado de 31 de agosto a 4 de setembro de 2026, na Unicamp.