Encontro fortalece a integração científica entre os países e amplia oportunidades de colaboração internacional

Pela segunda vez o Brasil se torna centro do debate matemático mundial com a 7ª Conferência de Matemática dos BRICS. A edição será realizada entre os dias 18 e 21 de agosto na Universidade de São Paulo (USP) e conta com organização da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), da USP, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), além de sociedades dos demais países fundadores do BRICS: Rússia, Índia, China e África do Sul.
Criada em 2017, a conferência é um dos mais importantes eventos científicos internacionais voltados à área, direcionado a docentes e pesquisadores sênior, em início de carreira e estudantes de pós-graduação. A edição de 2026 é a segunda após um hiato de cinco anos, marcando também um novo rodízio entre os países para sediá-la.
A matemática se encontra aqui
Mais do que uma reunião científica entre países, a 7ª Conferência de Matemática dos BRICS agrupa os principais expoentes da área e personagens centrais na produção científica matemática mundial. Das 68 pessoas laureadas com a Medalha Fields – maior honraria matemática – na história, 12 são dos países que fundaram o grupo, cerca de 18% do total de premiados.
Essa reunião coloca o evento como peça-chave na estratégia de cooperação, desenvolvimento e fortalecimento econômico dos cinco países, razão pela qual o grupo se formou, da forma que conhecemos, em 2011.
Para Yuri Lima, docente do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da Universidade de São Paulo (IME-USP) e membro do comitê organizador do evento, os temas científicos debatidos na conferência são fundamentais para o crescimento dos países.
“Os interesses políticos e, principalmente, econômicos aos quais associamos os BRICS não se desassociam dos científicos. Gerar essa integração político-econômica naturalmente passa pela colaboração acadêmica, tornando essa conferência como um importante mecanismo de crescimento desses países”, argumenta.

A programação
Pensando em incluir as diferentes produções científicas de cada país, a sétima edição do evento conta com uma programação diversa e global. Um dos destaques do cronograma é o matemático Artur Ávila, único brasileiro a receber a Medalha Fields em 2014. Ele encerra as palestras do primeiro dia.
Participam também do evento cientistas de referência em suas áreas, como o indiano Anish Ghosh e o sul-africano Michael Henning. Ghosh, que conduz uma plenária na quarta-feira, é matemático especializado em teoria ergódica e teoria dos números. Já Henning, programado para a manhã de quinta-feira, é autoridade no campo da teoria dos grafos.
Yuri Lima conta que a programação foi desenvolvida em parceria e que o comitê científico da conferência, composto por pesquisadores das cinco nacionalidades, foi responsável por indicar três cientistas de seus respectivos países, garantindo diversidade e equilíbrio entre os convidados. “A escolha dos plenaristas reflete o que de melhor vem sendo feito cientificamente em cada um dos países membros. Esperamos que toda a programação possa mostrar aos participantes que o desenvolvimento matemático produzido por essas nações é de altíssimo nível, colocando-as como expoentes da ciência matemática mundial”, pontua o docente.
Além das plenárias e palestras, o evento conta com a apresentação de pôsteres e sessões temáticas. Visando o intercâmbio acadêmico, as sessões temáticas trarão pesquisas com, ao menos, duas nações fundadoras.
A 7ª Conferência de Matemática dos BRICS marca mais um capítulo da internacionalização da pesquisa matemática brasileira. Nos últimos anos, o país tem recebido eventos de grande porte e ampliado sua participação em iniciativas de cooperação científica internacional.
As inscrições para a conferência permanecem abertas até o dia 18 de agosto, data de início do evento. Para se inscrever e consultar mais informações, acesse o site: https://sbm.org.br/brics/.