Editorial Noticiário #85 –Novembro de 2025

Por Nivaldo Grulha, Editor-chefe

Olá querid@s leitor@s do nosso Noticiário Eletrônico da SBM

Novembro chega e, com ele, a habitual e bem-vinda provocação: convida-nos a enxergar a Matemática para além das equações. Entre o fervilhar de eventos científicos, a celebração de talentos olímpicos e debates que exigem profundidade, este mês nos lembra de uma verdade crucial: a Matemática é, acima de tudo, feita de pessoas — de suas histórias de vida, suas lutas, suas descobertas e a esperança de um futuro mais justo.

É nesse espírito que abrimos esta edição, trazendo à conversa o texto “Travessias na Matemática: Memória, Racismo Estrutural e Futuro”. O texto nos lembra de algo fundamental: a comunidade matemática está inserida na sociedade e reflete suas tensões e desigualdades. Ao revisitar sua trajetória e a de sua família, o autor recoloca em pauta questões que há muito atravessam nosso campo, mas que nem sempre recebem a atenção necessária nos espaços acadêmicos.

Reconhecer que o racismo estrutural também se manifesta na Matemática brasileira — e em outros contextos — é tanto um chamado quanto uma responsabilidade. A reflexão proposta convida a comunidade a pensar e agir na construção de ambientes científicos mais justos, diversos e acolhedores. A diversidade, como o texto enfatiza, não é um elemento acessório, mas parte essencial do fazer científico.

Mas novembro é também tempo de festejar o presente e traçar o futuro. Na USP, a 4a edição do Workshop Internacional de Teoria dos Jogos e Aplicações Econômicas reafirma a importância de conectar a pesquisa teórica com as questões concretas do mundo em que vivemos. No vibrante universo da formação escolar, o anúncio dos medalhistas da 2a edição da OPMBr volta a brilhar, mostrando o imenso talento e a criatividade matemática que pulsam nos jovens de todo o país.

E já mirando o horizonte, a abertura das inscrições para o VII Colóquio de Matemática da Região Nordeste, a ser realizado em Recife em novembro de 2026, é mais uma prova da vitalidade das nossas redes regionais. O Colóquio, com suas sete áreas temáticas, reforça o compromisso da SBM com o avanço científico em todas as regiões. As colunas desta edição, aliás, ampliam esse mosaico de perspectivas. Em pauta:

  • Formação de Alto Nível: Fábio Xavier Penna, em PROFMAT: Para Além das Contas, apresenta a criação do Doutorado Profmat, um marco que aprofunda a formação de nossos professores e garante a presença estratégica da Matemática na educação básica.
  • Aprender a Ver: Cydara Cavedon Ripoll (Coluna Ensino da Matemática) explora o poder das representações pictóricas na construção do pensamento, lembrando que compreender é também saber visualizar.
  • Divulgar é Dialogar: Miriam Telichevesky (Divulgação Matemática) faz uma reflexão crucial sobre o alcance e os limites dos conteúdos digitais, defendendo que o verdadeiro desafio é encontrar caminhos reais para conversar com quem ainda se sente distante da área.
  • Raízes e História: Sergio Nobre e Angélica Raiz (Coluna História da Matemática) resgatam o fascinante relato do Primeiro Colóquio Brasileiro de Matemática, um evento fundador cujo espírito de colaboração ecoa e molda a pesquisa nacional até hoje.
  • A Luta por Equidade: E na Coluna Elas em Movimento, Valéria Neves Domingos Cavalcanti traz a urgência da participação feminina. A equidade, ela nos lembra, não surge por acaso: é fruto de escolhas, políticas e do compromisso contínuo de toda a comunidade.

Por fim, não podemos deixar de celebrar o brilho da juventude na Coluna Olímpica: a realização em Fortaleza da 5a PAGMO – sediada pela primeira vez no Brasil. As quatro medalhas de prata conquistadas pela equipe feminina são um lembrete poderoso: o futuro da Matemática é promissor, e ele está sendo construído agora. Entre memórias, desafios de equidade e conquistas que nos inspiram, novembro mostra que fazer Matemática no Brasil é, essencialmente, trilhar caminhos profundamente humanos. Que as reflexões e notícias desta edição inspirem cada um de nós a seguir construindo uma comunidade científica mais forte, mais diversa e, acima de tudo, mais nossa.

Boa leitura!